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Funcionários da Amazon ajudam a contratar colegas

Funcionários da Amazon ajudam a contratar colegas.
Na hora de despachar os pedidos das compras on-line, a Amazon.com Inc. só quer saber de rapidez. E quanto menos pessoas envolvidas, melhor.

Mas quando a questão é preencher vagas nos escalões mais altos, a gigante do comércio eletrônico americano não tem pressa — e faz os candidatos passarem por um corredor polonês de pessoas apelidadas de "bar raisers" antes de serem contratados. Em inglês, a expressão "raise the bar" vem de elevar a barra do salto em altura em atletismo, tornando o salto mais difícil e seletivo. Daí a Amazon usar o nome "bar raisers" para funcionários que, com suas exigências, acabam elevando os critérios de contratação da empresa.

Esses funcionários são avaliadores qualificados que, embora desempenhem funções de tempo integral em vários departamentos, têm um papel crucial no processo de seleção, entrevistando candidatos em outras partes da empresa. Com uma palavra, podem vetar um candidato, mesmo que sua experiência seja numa área que nada tenha a ver com a vaga em questão.

A Amazon acredita que o programa, criado quando a empresa estava em seu estágio inicial e aprimorado por seu fundador e diretor-presidente, Jeff Bezos, identifica desajustes culturais e ajuda a torná-la uma concorrente temida em áreas diversas como logística, fabricação de tablets e produção televisiva.

"Não há empresa tão fiel a seus processos como a Amazon", diz Valerie Frederickson, dona de uma consultoria de recursos humanos que leva seu nome e que trabalha com companhias do Vale do Silício, incluindo o Facebook Inc. e o Twitter Inc. "Eles não apenas contratam os melhores que encontram; eles estão dispostos a procurar até achar o talento certo."

Como a força de trabalho da Amazon cresceu para 110.000 funcionários, o programa é uma ferramenta minuciosa, segundo funcionários da empresa atuais e que já saíram da companhia.

Há centenas de "bar raisers" hoje em toda a Amazon, de acordo com ex-funcionários, embora a empresa não confirme o número geral. Alguns funcionários evitam ser designados para a função, que é um programa voluntário e não oferece pagamento adicional, apesar de supostamente acelerar promoções. Essas pessoas costumam receber a solicitação de entrar em contato com cerca de 10 candidatos por semana, dedicando entre duas e três horas a cada um deles — tudo isso enquanto desempenham suas funções regulares, seja na área de finanças, marketing ou desenvolvimento de produto.

Isso já causou uma carência de "bar raisers", segundo alguns gestores. Andy Jassy, chefe da crescente unidade de computação nas nuvens da Amazon Web Services, disse numa entrevista ao The Wall Street Journal, em novembro, que parecia não haver "bar raisers" suficientes e que ele estava buscando mais.

Nem todo candidato a uma vaga na Amazon passa por um "bar raiser". Funcionários atuais e antigos da empresa dizem que a Amazon usa um processo simplificado para contratar funcionários para seus armazéns, que estima-se que representem 75% de sua mão de obra total.

A maioria dos outros, porém, deve enfrentar uma série de entrevistas por telefone e pessoalmente. Os entrevistadores elaboram suas avaliações por escrito e depois se encontram para discutir sobre o candidato. Dentro da Amazon, a avaliação de um candidato normalmente envolve cinco ou seis funcionários e toma duas horas de cada um deles.

"Queremos ser o mais objetivo e científico possível em nossas contratações", diz Susan Harker, vice-presidente global de aquisição de talentos da Amazon. "A meta é otimizar nossas chances de ter funcionários de longo prazo", afirma.

Outras empresas de tecnologia contam com seus próprios sistemas para identificar os melhores candidatos e os mais brilhantes. Durante um tempo, o Google Inc. pediu que candidatos informassem seus QIs e fizessem testes de quebra-cabeças. A Microsoft escala altos executivos para entrevistar candidatos nos estágios finais de contratação. E o Facebook Inc. faz a alguns candidatos perguntas complexas sobre codificação ou soluções para os desafios de negócios.

Para se tornar um "bar raiser", o funcionário deve ter entrevistado dezenas ou centenas de candidatos e construído uma reputação de fazer perguntas difíceis e identificar pessoas que se destacam.

Ao criar o programa, Bezos queria garantir uma cultura corporativa consistente. Os executivos da Amazon dizem que o método reduz erros de contratação, já que força várias pessoas a aprovar um candidato. O programa é "algo de que a equipe mais ampla tem muito orgulho", disse Bezos numa entrevista ao WSJ no ano passado.

É provável que a sobrecarga que ele representa cresça à medida que a Amazon acelere seu ritmo de contratação, necessário para expandir o serviço de entrega no mesmo dia e para a construção dos tablets Kindle, bem como smartphones e reprodutores de mídia digital.

Nos 12 meses encerrados em 30 de setembro, a Amazon contratou cerca de 30.000 pessoas, número próximo ao de toda a força de trabalho do eBay Inc. A mão de obra da gigante do varejo on-line mais que triplicou nos últimos três anos.

Dave Clark, vice-presidente das operações mundiais da Amazon, diz que a empresa normalmente realiza mais de 75.000 entrevistas para contratar 30.000 funcionários novos. Os "bar raisers" ajudam "a manter uma consistência dos tipos de habilidades e perspectivas que estamos procurando", diz Clark. Fonte The Wall Street Journal.

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