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Comércio eletrônico busca especialistas

O aumento dos negócios no e-commerce está exigindo profissionais cada vez mais especializados para ocupar posições na área. A Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm) prevê que as vendas pelo mouse cresçam 27%, em 2014, com um faturamento de R$ 39,5 bilhões. No ano passado, o setor movimentou R$ 31,1 bilhões no Brasil, uma expansão de 29% em relação ao ano anterior.

De olho numa fatia desse bolo, empresas on-line estão contratando profissionais para decifrar melhor hábitos de compra, captar novos usuários e dinamizar receitas. Mas não é fácil encontrar candidatos, e o preenchimento de vagas estratégicas pode demorar até dois meses. Hoje, a figura do gerente de marketing tradicional cede lugar para um executivo multitarefa, capaz de entender toda a cadeia de vendas. Além disso, especialistas em RH apontam para o avanço de novas funções nas organizações, como o gerente de "mobile commerce" ou m-commerce, ligado à venda por tablets e smartphones, e analistas de grandes volumes de informações (big data), que dão suporte a decisões de negócios.

Segundo Ana Cláudia Reis, sócia da consultoria global de recrutamento executivo CTPartners, a demanda por profissionais no e-commerce abrange áreas tradicionais, como marketing, tecnologia, logística e suprimentos, e vagas específicas, como no setor de análise de dados para o entendimento de comportamentos de compra. "O gerente de m-commerce tem de estar atento desde o visual dos aplicativos à oferta rápida de informações úteis."

Os profissionais especializados em análise de dados também estão em alta, pois funcionam como engrenagens para gerar vendas mais assertivas. Segundo a consultora, à medida que os consumidores se sentem mais confiantes para adquirir produtos via smartphones, o ritmo da atividade on-line vai se intensificar. "Infelizmente, nem todo executivo de marketing está preparado para o avanço digital."

Para Ana Cláudia, o perfil desse novo líder é complexo e deve somar experiência em marketing com conhecimentos de tecnologia e consumo. As organizações, desse modo, estão criando a função do "chief digital officer" para traduzir estratégias para o cenário virtual.

Na varejista on-line Netshoes, Juliano Tubino foi designado há cerca de cinco meses para a vaga de Chief Marketing Officer (CMO). Com mais de 15 anos de experiência em desenvolvimento de negócios, vendas e inovação na indústria de tecnologia, ele tem passagens por Microsoft e Amazon. Na nova função, lidera mais de cem pessoas. "O profissional de marketing hoje precisa analisar combinações de informações que indicam itens específicos para determinados públicos", explica.

Graduado em ciências da computação, com MBA em administração e especialização em marketing, Tubino afirma que é fundamental compreender como os consumidores são atraídos e converter essa interação em compras. Na Netshoes, a empreitada incluiu a criação de uma central de relacionamento 24 horas, atendimento via redes sociais, escolha de mercadorias com recursos em 3D e entrega no mesmo dia da compra. "Nos últimos três meses, o meu foco foi ajudar o time na conexão entre o marketing e o comercial, principalmente no desenvolvimento de negócios", diz o executivo, admitido em plena semana da promoção Black Friday. "Foi a melhor imersão que poderia pedir."

Eduardo Casarini, CEO e cofundador da Flores Online, empresa de 110 funcionários em atividade desde 1998, afirma que os executivos das lojas digitais precisam conhecer também um pouco da parte técnica do negócio. O mais difícil, em sua opinião, é encontrar profissionais que agreguem valor à empresa a longo prazo, com espírito empreendedor e entusiasmo. "As habilidades técnicas são fáceis de serem absorvidas no dia a dia. Achar alguém com bagagem técnica em e-commerce e com boa atitude é bem mais raro."

Em 2012, a Flores Online tornou-se sócia do fundo de investimento BR Opportunities e da americana 1-800-Flowers.com, uma das maiores da categoria. Nos últimos seis meses, contratou dois executivos: um para inteligência de marketing e outro para webmarketing, que trabalha com o gerenciamento de promoções. "São áreas importantes para melhorarmos o retorno do investimento."

Cláudio Garcia, presidente para a América Latina da consultoria LHH/DBM, afirma que os gestores devem buscar, cada vez mais, algum tipo de especialização para suprir essas demandas. "No marketing digital, o profissional com experiência em promoção sabe que ser apenas criativo já não basta. Ele deve mostrar um lado analítico, para identificar nichos e entender os caminhos do consumo."

Para Francisca de Matos, gerente de recursos humanos do Groupon Brasil, que no ano passado fez a transição de site de compras coletivas para o e-commerce, o déficit de talentos pode ser combatido com capacitação interna. "É um segmento muito novo. Estamos formando jovens líderes para assumir posições", diz. Com as mudanças de posicionamento da empresa, foram feitas contratações na alta gestão, como um novo CEO e um diretor de marketing.

André Sprenger da Mota foi admitido pela companhia em setembro do ano passado para o cargo de gerente regional em São Paulo, com a ajuda de uma consultoria de recrutamento. Antes, atuou em um grupo da indústria de papel e celulose. "Era responsável por definir objetivos de volume, preço, rentabilidade por segmento de mercado e distribuição", conta o engenheiro de controle e automação, com pós em gestão de negócios. Atualmente, responde pelos resultados do site, de olho na rentabilidade da operação.

Com 214 funcionários, o bomnegócio.com contratou recentemente um diretor de operações e um gerente de inteligência de negócio. "Precisávamos ficar ainda melhores em mensurar a movimentação dos internautas", diz a vice-presidente Ana Júlia Ghirello. "Nesse mercado, o bom líder é aquele que consegue mergulhar no detalhe da operação, mas com uma visão do todo."

Uma das mais novas contratações foi o sueco Per Johansson, diretor de operações para a América Latina, há três anos no Brasil. O ex-consultor da McKinsey & Company lidera projetos estratégicos, como a entrada em novos mercados e parcerias no Brasil, Chile, Argentina e Colômbia. "Colaboro também como um coordenador da equipe de inteligência de negócios, que auxilia outras áreas a tomar decisões", diz o executivo, formado em administração e com MBA pela Insead. "Ajudei a fazer uma análise de retorno de investimento que influenciou nossa estratégia de marketing." Fonte Jornal Valor.

Entender as dinâmicas das redes sociais é fundamental

Para garantir melhores posições, o profissional de marketing on-line precisa conhecer os diferentes perfis de compradores, a dinâmica das soluções móveis e das redes sociais, além de dominar a arquitetura das plataformas de mídia digital. "Os currículos que mesclam experiência em e-commerce com tecnologia são os mais disputados", diz Ana Cláudia Reis, sócia da consultoria de recrutamento CTPartners. "Como há carência de pessoas 'prontas' para esse mercado, muitas empresas desenvolvem talentos internamente ou apostam em quem já atuou em setores como bancos, serviços e telecom."

Segundo a especialista, o candidato com mais chance será aquele com conhecimentos em aplicações móveis e mídias sociais, além de serviços prestados tanto no varejo tradicional quanto no on-line. Habilidade na gestão de projetos e de equipes também é uma característica desejada. "O domínio de inglês é outro desafio, pois grandes multinacionais de e-commerce estão iniciando operações no Brasil ou querem crescer no país."

A Netshoes costuma mapear o mercado constantemente com o objetivo de enriquecer um banco de dados para cargos acima da gerência. "Quando nos deparamos com um nome com potencial ou que reúne habilidades desejadas, avaliamos a possibilidade de encaixá-lo no time", diz Luciana Machado, responsável pelo RH. "No nosso caso, são necessários experiência no e-commerce, o conhecimento em big data e uma conexão com o esporte."

Manuela Ponfick, de 28 anos, foi contratada pelo site Flores Online no fim de 2012. A gerente de marketing atuava com consultoria empresarial na área de estratégia para clientes e mercado na Deloitte. Agora, cuida da gestão do setor de inteligência de marketing, redes sociais e comunicação estratégica. "Fui chamada para desenvolver um projeto que viabiliza entregas, no mesmo dia, para mais de 500 cidades no país", diz. Neste semestre, sua meta é aperfeiçoar um modelo de atribuição de receita por canal, como as redes sociais. "O objetivo é estimar o retorno que cada aporte em comunicação traz para a companhia." Fonte Jornal Valor.

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